Como fazer gestão de estoque para manutenção?

O estoque de materiais indiretos e peças de reposição (MROs) são necessários, pois eles garantem a manutenção da produtividade das empresas. São eles que garantem que as linhas de produção não parem de produzir devido a falhas em máquinas ou falta de materiais de consumo. Porém, a gestão desse tipo de estoque é muitas vezes dificultada pela grande quantidade de itens e por demandas pequenas e esporádicas no tempo.

Gerir os estoques de peças de reposição torna-se então um grande diferencial para as empresas, pois com uma abordagem adequada pode-se reduzir consideravelmente os custos de estoque, mantendo um nível de serviço adequado.

A gestão de estoque permeia a tomada de decisão em inúmeras empresas, sendo um tema bastante explorado no meio acadêmico e empresarial. Porém, a gestão de estoques normalmente abordada se propõe a estudar o comportamento do estoque de itens que possuem padrões de demanda mais constantes e previsíveis.

A gestão de estoque MRO ainda é um tema pouco explorado na literatura, mas que apresenta grande relevância no meio empresarial, pois estes estoques possuem altos valores e itens considerados de extrema importância para o funcionamento das atividades da empresa.

A gestão de estoque para manutenção acontece em 5 passos, sendo eles:

PASSO 1 – Inventário do Estoque
Tudo começa pelo inventário. Existem empresas que não tem a mínima noção de que tem armazenados em seus almoxarifados, e isso é grave. O processo de inventário do estoque consiste em identificar, classificar e contar os produtos que estão armazenados em um determinado depósito.

Isso se chama inventário de estoque. É com esse balanço que você pode decidir o que fazer com aquelas mercadorias que estão encalhadas ou danificadas e também perceber se falta algo.

Quantos menos itens você colocar em estoque, menos você gasta com a sua gestão. Por isso, é necessário quantificar o que existe no estoque e depois avaliar o que realmente deve estar ali ou não.

Como fazer?

• Organize os tipos de mercadorias que estão no estoque: faça uma lista separando cada tipo de produto. Uma boa dica é separar aqueles que são iguais, ou da mesma categoria, em prateleiras ou caixas.

• Coloque um código em cada tipo de produto, inserindo um número para cada mercadoria: isso ajuda você a ganhar tempo na hora de identificar cada item, tanto na hora que o produto fica pronto como na hora em que é vendido. À medida em que criar cada código, anote cada um deles para não se perder depois.

• Faça a classificação de produtos e seus preços: anote na lista de inventário quanto cada mercadoria pesa, qual tamanho, cor, preço de custo e outras informações que possam ajudar.

• Faça a contagem dos produtos no estoque: em um momento em que o depósito estiver tranquilo, atualize a lista de inventário colocando também quantas unidades de cada produto você tem aí. E, se possível, faça uma segunda contagem para confirmar os números.

• Registre no relatório de inventário de estoque também possíveis perdas, roubos e devoluções. É importante lembrar que se houver diferenças entre o estoque declarado e o estoque real seu negócio pode ser autuado pelo fisco, recebendo multas altas.

PASSO 2 – Faça a Curva ABC
Curva ABC é um método de categorização de estoque. Seu objetivo principal é deixar claro quais são os produtos mais importantes para a empresa.

Na gestão de materiais, a Curva ABC (ou Controle Seletivo de Inventário) é uma técnica de categorização de inventário. A Curva ABC divide um inventário em três categorias:

Categoria A:
Itens com controle muito apertado e registros precisos.

Categoria B:
Itens com registros menos controlados e bons.

Categoria C:
Itens com os controles mais simples possível e registros mínimos.

A Curva ABC fornece um mecanismo para identificar itens que terão um impacto significativo sobre o custo geral do inventário, ao mesmo tempo que fornece um mecanismo para identificar diferentes categorias de ações que exigirão gerenciamento e controles diferentes.

A Análise ABC é semelhante ao princípio de Pareto: 80% do valor total do consumo é baseado em apenas 20% do total de itens.

Ou seja, a categoria ‘A’ é formada por poucos itens, mas itens de alto valor (itens caros).

Exemplo:

Os itens A são bens cujo valor de consumo anual é o mais alto . O top 70-80% do valor de consumo anual da empresa normalmente representa apenas 10-20% do total de itens de inventário.
Os itens C são, pelo contrário , itens com o menor valor de consumo . Os 5% mais baixos do valor de consumo anual normalmente representam 50% do total de itens de estoque.
Os itens B são os itens de interclasse, com um valor de consumo médio . Esses 15-25% do valor do consumo anual normalmente responde por 30% dos itens totais do estoque.

PASSO 3 – Análise do Consumo nos Últimos 36 Meses
O terceiro passo consiste em analisar a movimentação do estoque nos últimos 3 anos. Com base nesse histórico podemos retirar diversas informações importantes sobre o estoque da manutenção.

Esse passo é importante e crucial para que possamos identificar as categorias dos itens, sendo elas:

Itens Estocáveis – Aqueles que realmente devem estar no estoque;
Itens MTO – Make To Order – Aqueles que podem ser comprados de acordo com a necessidade e não necessitam ser estocados;
Itens Obsoletos – Aqueles que não devem estar no estoque.

PASSO 4 – Divisão em Categorias
Dividir os itens em categorias é fundamental. As categorias já ditadas acima são: Itens Estocáveis, Itens MTO – Make To Order, Itens Obsoletos.

Para conhecermos qual item pertence a cada categoria, basta calcularmos o Intervalo Médio entre Demandas (IMD), através da fórmula abaixo:

IMD = Quantidade de meses com demanda / Quantidade de meses sem demanda

Entendendo o IMD:

Quantidade de Meses com Demanda Nula: Imagine que você tem 10 unidades de um determinado item em estoque e a quantidade mínima para esse item no estoque é 5. Se esse estoque passou 3 meses sem precisar ser reabastecido, a quantidade de meses com demanda nula é 3.
Quantidade de Meses sem Demanda: É quantidade de meses em que não houve retirada daquele item no almoxarifado.
A partir do momento em que se conhece o IMD de cada item, é possível dividi-los em categorias conforme abaixo:

IMD>5: Itens Estocáveis
IMD>2-5: Itens MTO (Make to Order)
IMD

PASSO 5 – Defina o Ponto de Ressuprimento

Uma vez que você definiu o que deve ficar em estoque, deve se decidir outros dois itens:

Qual o estoque de segurança para cada item;
Qual a quantidade deve ser comprada para cada item quando atingir o estoque de segurança.
Um estoque de segurança deve ser criado para prevenção de duas situações:

Atrasos na entrega do item por parte do fornecedor;
Variações no consumo.
Portanto, a fórmula para cálculo da quantidade de Estoque de Segurança é:

EDS = Consumo Médio x Margem

Exemplo: Se o seu consumo médio de óleo lubrificante é de 40 Litros por dia, e a margem de atraso de entrega do fornecedor é de 2 dias, o estoque de segurança deve ser de 80 litros.

Uma vez que o estoque de segurança foi definido, deve-se calcular o ponto de reposição.

Ponto de reposição é quantidade que deve ser comprada para reabastecer o estoque e é encontrado através da seguinte forma:

PR = (TEMPO DE REPOSIÇÃO X CONSUMO MÉDIO) + ESTOQUE DE SEGURANÇA

Onde:

Tempo de Reposição é o tempo total do processo de compras. Desde o momento em que é feita a solicitação de compras no sistema até o dia em que o item chega na empresa.
Consumo Médio é quantidade média de itens consumidas dentro do período;
Estoque de Segurança é o produto do Consumo Médio x Margem de Desvio.

Conclusão
Através dos cinco passos citados nesse artigo é possível fazer uma boa gestão do estoque de peças e materiais para manutenção. Gerenciamento de estoques está diretamente ligado ao gerenciamento de riscos. Se você colocar muitos itens em estoque, o custo para gestão e manutenção do mesmo será alto. Se coloca poucos itens em estoque, pode sofrer para alimentar o plano de manutenção e pagar caro quando houver alguma manutenção corretiva emergencial.

Devemos conhecer o que realmente merece atenção dentro do nosso estoque, quando devemos comprar, por quanto comprar, quais são nossos “vilões” e ficarmos de olho no custo.

Dentro do custo de manutenção, cerca de 36% está relacionado a peças, materiais e insumos. Portanto, já temos um bom motivo para focarmos na gestão de estoques de MRO.

Fonte: https://engeteles.com.br/gestao-de-estoque-para-manutencao/

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *